Reflexão

A maravilhosa heterogeneidade de si mesmo

Escrito por Lara

Amanhã tem pré-estreia de 50 Tons de Cinza. Já sinto a movimentação nervosa das mulheres (por que não homens?). Ansiosas? Claro, mas, infelizmente, muitas culpadas por terem um gosto “vulgar”.
Adoro 50 Tons e estou contando as horas.Grande coisa. Adoro também Erasmo de Roterdã. E Agatha Christie e Fernando Pessoa e Edgar Allan Poe. Adoro ainda o que meus singelos –porém não menos interessantes – pais escrevem. Não entendo por que ter vergonha da heterogeneidade de si mesmo, ela é linda.
A cada post jornalístico sobre Big Brother, leio vários comentários de pessoas “cultíssimas” que, sem nada mais interessante para fazer, manifestam-se em vão contra um programa tão escrachado. São linhas de repúdio ao programa e ao veículo de comunicação que se prestou a divulgar a reportagem, concluindo classicamente que “é por isso que o Brasil não vai pra frente”.
Tudo em palavras bonitas, buscando na essência profunda de todos os tempos a filosofia de brotheres estúpidos que ganharão mais dinheiro e atenção do que muitos desses comentaristas carentes jamais poderiam sonhar.
Engraçado isso. Não é porque um refinado enólogo gosta de beber uma 51 de vez em quando que ele é menos entendedor de vinhos. Se Woddy Allen assistir a “Transformers”, será menos excelente?
Que grande bobagem. Que falta faz ser mais ameno, rir de si mesmo, abrir uma cerveja e fazer algo inútil. É só um livro. É só um programa. São só hobbies, gostos, excentricidades.
Por mais óbvio que pareça, cada um abstrai as experiências que o mundo oferece de um jeito diferente e, contanto que o gosto não seja ilícito e não fira o próximo, não há o que se categorizar em presunçosas caixas de certo e errado. Ser pedante torna ninguém mais interessante.
As pessoas mais maravilhosas que conheço são as que estão se lixando para a opinião dos outros sobre seus gostos, por mais absurdos que sejam. Elas estão ali, preocupando-se com ser elas mesmas.
Estão ali, comendo pepino com milk shake do dia anterior, lendo Dostoievski, ouvindo arrocha, jogando Dota e parando de vez em quando para trabalhar numa dissertação de mestrado incrível, enquanto alguém culto demais se distrai criticando seus hábitos.

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