Língua Portuguesa

Por que o sujeito não pode ser introduzido por preposição?

Escrito por Lara

Texto originalmente publicado no Blog do Colégio Córtex.

Está na hora da mudança começar!

Apesar do paciente ter chegado atrasado, eu o atendi.

Não vejo problema nele ter vindo acompanhado à festa.

O que há de errado com as frases acima? Antes de responder a essa pergunta, analisemos a segunda oração: da mudança começar. Para entender quem é seu sujeito, pergunta-se ao verbo “quem começa?”, obtendo-se a resposta da mudança, ou seja, o sujeito do verbo “começar” seria, em tese, da mudança.

Perceba como esse raciocínio parece estranho e descabido. Isso se deve ao fato de o sujeito conter em sua estrutura uma preposição indevidamente acoplada, pois a palavra da, presente em da mudança, nada mais é do que a soma da preposição de com o artigo a. Note, no entanto, que o sujeito nunca pode ter uma preposição em sua estrutura interna, pois isso lhe conferiria um caráter de subordinação a outro termo da oração, o que jamais deve acontecer na língua portuguesa. Invertendo-se a ordem dos termos, ninguém fala Do paciente chegou atrasado ou Da mudança começa agora!, não é mesmo?

Por outro lado, quanto ao significado, cria-se uma relação indevida de posse entre os termos. Quando se diz A bolsa é da mulher, faz sentido compreender que a bolsa pertence à mulher. Por outro lado, em Está na hora da mudança, causa-se a sensação de que hora pertence, de alguma forma, a mudança, o que não faz sentido algum.
Dessa forma, as construções adequadas seriam:

Está na hora de a mudança começar!

Apesar de o paciente ter chegado atrasado, eu o atendi.

Não vejo problema em ele ter vindo acompanhado à festa.

Agora, sempre que ouvir alguém repetindo o famoso ditado Está na hora da onça beber água, você poderá, com propriedade, ensinar que a frase correta é Está na hora de a onça beber água. Dê-me licença, pois está na hora de eu (e não deu) ir embora!

Autoria: Professores Mário Vasconcelos e Lara Brenner

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